A Menina Catavento

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Nascida em João Pessoa, Paraíba, a cantautora Nathalia Bellar iniciou sua trajetória nos palcos do teatro, atuando em espetáculos por cinco anos. Posteriormente, adentrou no universo da música passando pelos bares e, posteriormente, desenvolvendo os shows “Elis Vive” e “Dona do Dom”, nos quais interpretava canções do repertório de Elis Regina e Maria Bethânia, grandes referências suas. Em 2012 teve sua primeira canção autoral “Pra Durar”, integrando o projeto MOSTRA SESC DE MÚSICA. Em 2016, lançou seu primeiro single independente nas plataformas de streaming, a música “Estranho Mundo”, que integrou o time de novos autores do MUSIC FROM PARAHYBA, projeto coletivo que lança novos artistas para mercados internacionais.

 

O ano de 2017 foi seu divisor de águas. Entrou em turnê com o tributo “Amar e mudar as coisas me interessa mais: Eternamente Belchior”, que homenageava o cantor cearense através de vozes nordestinas da nova geração.

Cantou acompanhada da Orquestra Sinfônica da Paraíba ao lado do ícone Cátia de França, no importante teatro Pedra do Reino, um dos maiores do Brasil.

No mesmo ano, participou com louvor do programa da Rede Globo THE VOICE BRASIL, expandindo as fronteiras de seu público.

 

Em 2018, já mergulhada na produção de seu primeiro disco de carreira, ela lança o single “Menina” e passa a atuar em projetos paralelos importantes como o “Nathalia Bellar e Trio Dibuiá”, que une a sonoridade nordestina às mais diversas linguagens musicais do mundo, com releituras de clássicos em arrojados arranjos de jazz, blues e rock. Circulou com esse trabalho por várias cidades brasileiras. A última delas foi São Paulo, com um show especial homenageando o centenário do genial Jackson do Pandeiro, que contou com a belíssima participação da cantora Elba Ramalho.

 

Em 2020, nasce o álbum “Catavento”, marcando seus mais de 15 anos de trajetória artística. Um trabalho que dialoga com o POP e faz um passeio sonoro por diversas influências brasileiras, trazendo elementos do samba, do coco eletrônico e dos afoxés que destacam a ancestralidade africana e a força das raízes de cultura nordestina.

Nathalia também assina a direção artística e duas das canções inéditas que completam as dez faixas. A produção musical é do renomado produtor Rodrigo Campello e a coprodução de Jader Finamore.

Regravações de artistas como Lula Queiroga e Totonho ganharam novíssimos arranjos.

A música de trabalho do álbum é a inédita “Furtacor”, que traz uma forte crítica social e tem participação do genial Chico César.

 

Em 2021, ano em que os artistas mais se reinventaram no cenário da pandemia global, Nathalia Bellar lançou o audiovisual da canção “Entranhada” e diversos projetos virtuais como o “Reencontros”, em parceria com o cantautor Titá Moura. Um show projetado para as telas do ZOOM. Nesse contexto de novas parcerias, nasceu  o show “Tríade”, que teve sua estreia presencial no palco do Teatro do Minas Tênis Clube (BH), ao lado de Jane Duboc, Cliver Honorato e Marco Lobo, com participação de Flávio Venturini.

Como alguém passa ileso por Nathalia Bellar? Onde alguém consegue se esconder de sua luz que toma todo lugar? E quem o faria? Por que teria vontade ou coragem de não se deixar banhar pelo canto que brota dela? Qual olhar não captura seus gestos límpidos? E o que nela lhe confere a nitidez de conjugar corpo e canto numa espontaneidade cristalina? Por que o palco e tudo que não é palco parece, para ela, igual ribalta? E como pode uma criatura se comportar num descomportamento tal que a vaga ideia de pôr em igual plano o palco e o mundo real não passa a diminuir a importância do palco, mas sim a aumentar a potência do mundo real e a sua própria potência? De que maneira uma cantante (pois que autora, cantora, cantriz, cantautora, intérprete, nenhuma dessas lhe abarca mais que o gerúndio que se intui em ‘cantante’) pode imprimir na voz a generosidade amplificada de seus gestos enquanto gente? Quem sabe dos eletrochoques que ela conduz pelas coxias? Seria Bellar uma beleza para além do mundo? Uma pós-beleza? Seriam seus cabelos as linhas que costuram num disco, numa vida, as cordas de Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro? Seria ela mais do que merecemos? Será que um dia a mereceremos? A quantas andam seus silêncios? Escreve suas angústias a lápis ou caneta? Com quantos cataventos ela compõe sua brisa? Através de quais lentes seu olho me enxerga? E quais ademanes haverá de adereçar até a minha poesia? Acenaria a outros sotaques e texturas? Quantas vezes ainda colidirão nossos mundos? Quantas calçadas não percorreremos? E quais faixas de pedestre atravessaremos sem olhar para os lados? Não sei. Sei que é bom. E sopra a nosso favor.

(Guga Limeira - cantor e compositor)

RETRATISTA

DE ACALANTO