O Catavento e a força dos encontros!

Nascida em João Pessoa - PB, a cantora e compositora Nathalia Bellar vem se firmando como uma das principais revelações musicais paraibanas. Ela iniciou sua trajetória artística no teatro onde atuou por 5 anos. Posteriormente, adentrou no universo da música, desenvolvendo os shows “Elis Vive” e “Dona do Dom”, nos quais interpretava canções do repertório de Elis Regina e Maria Bethânia, grandes referências suas. Intérprete madura e compositora em exercício, como se auto define, em 2012 teve sua primeira canção autoral, o hit pop “Pra durar”, integrando o projeto Mostra Sesc de Música. Já em 2016, uma outra composição sua, “Estranho Mundo”, integrou o time de novos compositores do Music From Parahyba, projeto que leva a música paraibana para mercados internacionais. 
O ano de 2017 foi seu divisor de águas. Cantou acompanhada da Orquestra Sinfônica da Paraíba ao lado da também paraibana e respeitadíssima Cátia de França; entrou em turnê com o tributo “Amar e mudar as coisas me interessa mais – eternamente Belchior”, juntamente com o Quinteto de Cordas Uirapuru e outros representantes da música nordestina. Ainda no mesmo ano, participou com louvor do programa The Voice Brasil. Enquanto isso, mergulhava na finalização de seu primeiro cd, com título homônimo de “Catavento”, que a coloca no mercado da Nova MPB. 

O disco, que teve a produção de Rodrigo Campello e coprodução de Jader Finamore, conta com as participações de Chico César, no single Furtacor que faz uma forte crítica social, e do Quinteto Uirapuru, além de um talentoso recorte de compositores contemporâneos, incluindo regravações de renomados como Lula Queiroga e parceiros com os quais a artista assina algumas das canções deste repertório forte, e ao mesmo tempo cheio de leveza e cor, tal qual Nathalia Bellar: uma diva inquieta.

Como alguém passa ileso por Nathalia Bellar? Onde alguém consegue se esconder de sua luz que toma todo lugar? E quem o faria? Por que teria vontade ou coragem de não se deixar banhar pelo canto que brota dela? Qual olhar não captura seus gestos límpidos? E o que nela lhe confere a nitidez de conjugar corpo e canto numa espontaneidade cristalina? Por que o palco e tudo que não é palco parece, para ela, igual ribalta? E como pode uma criatura se comportar num descomportamento tal que a vaga ideia de pôr em igual plano o palco e o mundo real não passa a diminuir a importância do palco, mas sim a aumentar a potência do mundo real e a sua própria potência? De que maneira uma cantante (pois que autora, cantora, cantriz, cantautora, intérprete, nenhuma dessas lhe abarca mais que o gerúndio que se intui em ‘cantante’) pode imprimir na voz a generosidade amplificada de seus gestos enquanto gente? Quem sabe dos eletrochoques que ela conduz pelas coxias? Seria Bellar uma beleza para além do mundo? Uma pós-beleza? Seriam seus cabelos as linhas que costuram num disco, numa vida, as cordas de Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro? Seria ela mais do que merecemos? Será que um dia a mereceremos? A quantas andam seus silêncios? Escreve suas angústias a lápis ou caneta? Com quantos cataventos ela compõe sua brisa? Através de quais lentes seu olho me enxerga? E quais ademanes haverá de adereçar até a minha poesia? Acenaria a outros sotaques e texturas? Quantas vezes ainda colidirão nossos mundos? Quantas calçadas não percorreremos? E quais faixas de pedestre atravessaremos sem olhar para os lados? Não sei. Sei que é bom. E sopra a nosso favor.

(Guga Limeira - cantor e compositor)

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